O eterno feminino na pintura

//O eterno feminino na pintura

A figura feminina, o retrato, o esboço, a mulher tema ou a visão da aurora na pintura de Luís Lopo, na arte contemporânea com a sua estética, aperfeiçoando, a todo o instante, o corpo feminino, o seu mundo especial, numa corrente antropológica que é já a sua filosofia, explicando este ser sensível através dos pincéis.

Capta este singular artista as zonas subconscientes, as zonas mais escondidas, como depurando o desenho em métodos novos e sem aberrações pansexualistas, para nos traduzir, em todo o seu esplendor, o corpo feminino, esse eterno corpo tão agrado de Goethe, no seu automatismo espontâneo, de desenho rigoroso, na afirmação dos princípios fundamentais do traço, do saber descrever a graça feminina nos seus mais variados cambiantes.

O eterno feminino que tanto seduz este pintor, não é uma tentativa literária tão ao gosto das correntes comprometidas, mas é a explicação biológica ou o facie feminino em mil labores, plebeia ou burguesa, os encantos dum mundo intimista, esse encanto que vem desde as calendas gregas, o mistério e sortilégio que embriaga o homem.

Foi das exposições mais convincentes que observei neste país e a visão da mulher dada por este pintor povoa os sonhos dos estetas, dos poetas, ora como imagem peregrina, ora como heroína, como companheira, mãe ou filha, esposa ou amante, no paroxismo duma adulta e soberba pintura.

Assim vale a pena ver o “retrato” ou simplesmente a figura feminina, as experiências laboratoriais, os apuramentos da introspeção no perfil, no sempre eterno feminino, a mulher como o pintor fosse conhecedor de todos os fenómenos psíquicos desse ser cantado por poetas, romanceado por escritores, anotado em sinfonias, e cuja diferenciação específica vai criando epopeias de amor.

Grande pintura. Fora da geometria habitual. A sua finalidade é criar beleza sem falsas leis de moral, na autenticidade do seu estro, numa arte liberta e sem escrava de teologias.

E ver este ser sensível como bailarino, trapezista, campesino, em mil atividades em vestimentas a condizer como o pintor fosse estilista em vestimentas do sexo oposto ou um mago na confeção da roupagem que embeleza ainda mais os efeitos coreográficos.

Daí o merecimento enorme da pintura deste artista que enche o nosso chato quotidiano, nos evita avolumar o stress dando relevância às nossas próprias experiências críticas, reais ou oníricas, como a sua pintura, as suas “mulheres” e os seus “retratos” tivessem a finalidade de fazer mais bela a mulher para encanto de todos nós que enxergamos a pintura a arte posta ao serviço da beleza, esteja onde estiver, como faz este pintor que, no meio de tanta maldade canta a mulher que é mãe, filha, companheira, amiga, confidente, ou heroína em sacrifícios, tanta vezes, sempre mas sempre o equilíbrio do Universo!

MANUEL BONTEMPO