O INTERIOR SOFRE SEM O COMBOIO DA LOUSÃ

//O INTERIOR SOFRE SEM O COMBOIO DA LOUSÃ

Não ouso dizer que escrevi a alertar para isto ou para aquilo, muito menos que tinha razão no que escrevi e confesso que estes apontamentos que tenho o privilégio de poder inserir em O DESPERTAR oscilam entre o factual e o que presumo: e esta variação é delicada. Factos são Factos. Opinar, presumir é algo diferente. Estes são TEXTOS DE OPINIÃO em espaço adequado e habitualmente com a indicação supra de OPINIÃO. CAROS LEITORES: o preâmbulo permite explorar a vossa memória. Escrevi nestas colunas, há tempos, que presumivelmente a CP não retomou ainda os comboios na Linha da Lousã porque não teria composições em número suficiente e em condições mínimas. RECORDAM-SE? Abordámos também a triste desinstalação das OFICINAS DE MANUTENÇÃO E REVISÃO DE MATERIAL FERROVIÁRIO na estação da Figueira da Foz. Chegámos a opinar que a CP devia repor de imediato os carris entre SERPINS e COIMBRA B e fazer a circulação NESTE TROÇO com recurso a máquinas diesel ficando a eletrificação do Ramal para mais tarde. Tal situação implicava servir não só os passageiros, mas também o TRANSPORTE DE MERCADORIAS entre SERPINS/LOUSÃ/MIRANDA DO CORVO e as Linhas Principais da CP, concretamente as Linhas do NORTE e da BEIRA ALTA e ainda o RAMAL DE ALFARELOS com LIGAÇÃO AO PORTO DA FIGUEIRA DA FOZ. Isto não pode ser feito com METROBUS ou essa espécie de metro cruzado com autocarro de que falam – muito menos a utilizar numa linha que reclama transporte com mais resistência às barreiras que muitas vezes caem sobre a linha ou traçado: e nesse aspeto não se compara a resistência de uma carruagem da CP a um autocarro com pneus.

Veio agora a saber-se durante estes dias de férias de O DESPERTAR que a CP terá tentado alugar mais composições a Espanha porque está carenciada; Espanha terá dado sopa e a CP terá mandado para a sucata material circulante que embora desatualizado ainda dava muito jeito para este nosso país de parcos recursos e que está com um dos piores panoramas ferroviários da Europa. Ou seja: houve megalomania no Metro Mondego e prejudicaram a população instalada na zona da Linha da Lousã que está também insatisfeita com os atuais autocarros que andam a fazer a vez do comboio. METROBUS para a zona urbana em Coimbra, Sim. Para o Ramal da Lousã, Não. Reponham os carris em falta, passem uma esponja no que aconteceu e tenham a humildade de repor de imediato uma automotora a circular na Linha da Lousã. Provavelmente tal ainda não foi feito porque falta MATERIAL CIRCULANTE. Que o dinheiro desse falado metrobus seja trocado por duas ou três automotoras para o dorido e espoliado Ramal da Lousã.

Gostaria de saber se os Senhores Presidente da República e Primeiro-Ministro estarão devidamente esclarecidos o quanto é importante a componente do Transporte de Mercadorias pela ferrovia da Lousã. O INTERIOR sofre. O INTERIOR sofre e cala. Banhem-se no Interior, mas não nos façam sofrer, nem calar. E calar por educação nem sempre é consentir que abusem de nós. Excelências, Senhores Presidente da República e Primeiro-Ministro: aprofundem todo o processo do METRO MONDEGO, por favor. Sensibilizem para a reposição do comboio da Lousã. Muito obrigado.

SANSÃO COELHO (sansaocoelho@sapo.pt)