Pintura de Marie Guiomar Groffier

//Pintura de Marie Guiomar Groffier

Esta artista no domínio perfeito de um cromatismo que racionaliza a imagem tem a consciência técnica das diferentes escolas que estuda e revela, singularmente, no jogo soberbo da cor e das figuras esboçadas, adivinhadas e sentidas em válidas experiências que se juntam e definem esta artista na sua trajetória que percorre fronteiras e não enfeita o mundo rural na análise que representa a sua versatilidade cultural.

É das pintoras francesas (filha de pai gaulês e mãe lusa) mais dinâmica na procura e na explicação da fenomenologia da arte na sua séria vocação e no exemplo estrutural e segura numa pintura perfeitamente ordenada no livre arbítrio do traço desmistificado de onde resulta o tecido e o estilo de uma arte que se veste, tantas vezes, do pensamento discursivo e sempre vivo, não nos métodos da tragédia grega mas num novo renascimento ou da esperança na beleza dada sem desvios eruditas mas na expressão sensitiva que é o fogo do seu espírito, nas metáforas e nos símbolos, na transposição do seu interior num casamento perfeito com tudo que os seus olhos enxergam.

A paisagem autêntica, os obreiros que constroem edifícios, ou trabalhadores que cultivam a terra, os pescadores na faina da pesca, as profissões mais singulares são vistos na paleta desta pintora como um ato de amor.

É uma exímia encenadora na preparação do quadro na atualização mímica que movimenta os olhos do espetador na busca da essência, a sua pintura é sempre uma intenção processual da arte viva, atual, deste tempo de pobreza e grandeza artística onde somente sobrevive o verdadeiro artista. O criador.

A obra desta pintora é vista para além da aparência visível no interrogativo das figuras que se movem, se apercebem, se sentem, na vida e fogo, nas emoções carregadas de cor, na segurança da palete, que uma ou outra linha a descurar a forma exata da sua identidade, não arrefece o entusiasmo deste festim alacre na relevância de convergência, na filosofia de uma cabeça que pensa, equaciona, nos faz mexer o intelecto e nos entra pelos olhos e pela sensibilidade.

Pintora de mérito universal sabe descrever pela técnica que é um perfeito diálogo tudo o que é exprimível com o seu prestígio e por tudo de belo que passa no seu espírito.

Nossa conhecida de há anos, em França, gostámos de rever as incidências das suas figuras, do seu mundo, o talento da artista.

Agradeço a boleia da dr.ª Adélia Drago sempre disponível ao chamamento do velho amigo.

Nota: Também estou reconhecido pelos quatro dias que passámos na Dinamarca, belo país, quase plano, em que o meio de transporte mais usado é a bicicleta. Visitámos os Palácios Christiansborg e Rosenborg. Cidade dinâmica com muita juventude, mas cara. Os prédios coloridos junto ao rio empresta a esta cidade um raro fascínio.

MANUEL BONTEMPO