Um Museu – Prenda histórica para Coimbra

//Um Museu – Prenda histórica para Coimbra

Profissional que fui em Coimbra é natural que continue a interessar-me pelo que se vai passando na cidade, especialmente no que se relaciona com a fotografia.

Aqui vivendo há 68 anos, nunca longe da Torre, vou tentando corresponder ao bom acolhimento que sempre tive e se mantém.

Vindo de Évora pouco depois de terminar a minha vida académica – e convém lembrar que usávamos capa e batina de segunda a sexta feira – não tive dificuldade em me ambientar, conhecendo os meios académicos, fazendo amigos nas repúblicas, grupos de fado e no desporto. Nas tertúlias noturnas na “Brasileira” ia aumentando os meus conhecimentos sobre Coimbra e quem nela mais intervinha. Como trabalhei para os jornais de Coimbra e os mais importantes de Lisboa e Porto, os relacionamentos aconteciam todos os dias.

Desse recuado tempo recordo os princípios da fotografia em Coimbra, por iniciativa do Grupo de Amadores de Fotografia e Cinema “Câmara” e da Secção Fotográfica da Associação Académica. Aquele alcançou a igualdade em atividade com Lisboa que tinha a apoiá-lo o Foto Clube 6×6 e com o Porto que tinha a Associação Fotográfica. O Grupo “Câmara”, muito ativo, tinha mais sócios, distribuídos de Norte a Sul do país, Ilhas, Angola e Brasil. A sua atividade internacional era tanta que se tentou criar em Coimbra um posto alfandegário.

Hoje os concursos internacionais diminuíram mas a atividade continua, graças à Câmara Municipal que tem mantido a “chama” com atividades nacionais e internacionais e o Exploratório, com excelentes temas científicos. A Universidade apresentou, em montagem primorosa, uma coleção artística sobre Coimbra, em grande formato, no claustro superior das Gerais. Em festejos de ocasião, os concursos provam que está vivo o entusiasmo dos amadores. O Centro de Saúde Militar (antigo Hospital Militar) mostrou, em simultâneo, duas coleções, especialmente para militares. Não tendo sido publicitadas, poucos civis tiveram a sorte de as visitar. Numa técnica, acuidade e arte, noutra temática, aves nacionais em liberdade, paciência a rodos, ternura intimista.

A cidade cresceu – e de que maneira – mais a sul do que a norte pois já alcançou a margem direita do Mondego à Portela. Mais no centro surgiram novos espaços que muito necessários eram. Alguns deles estão na margem esquerda do rio, em Santa Clara, destacando-se o Convento de S. Francisco e o já referido Exploratório.

A posição geográfica continental de Coimbra é a ideal para criar aqui um museu ligado à fotografia.

A Casa Municipal da Cultura guarda já uma razoável coleção de máquinas fotográficas, de cinema e projetores, tudo de doações.

Como sei da existência em Coimbra de uma outra coleção, muito completa, selecionada, incluindo um laboratório dos primeiros que se fabricavam para a produção de fotos a cores, e ainda ampliadores e outros materiais, um conjunto raro de encontrar e disponível, chegou a hora da nossa Câmara Municipal intervir, dialogando com o possuidor deste conjunto, a saber em que condições o disponibiliza.

Não conheço os espaços ainda livres no Convento de S. Francisco. Sei sim que a área necessária para expor este material exigirá boa parte do que suponho estar livre, o que garantirá desde logo um grande e bom museu digno de Coimbra e do país.

VARELA PÈCURTO