“Gira o disco e toca o mesmo…”

//“Gira o disco e toca o mesmo…”

A cidade vai despertando aos poucos a sua rotina operária e estudantil, aquela que lhe dá ânimo e vida. Chegado o mês de setembro é já com saudade que qualquer um se lembra do “Meu querido mês de agosto…”. Depois de uma pausa merecida, “férias” como lhe chamam, tudo volta ao quotidiano de uma vida em que o tempo não para, voltando a preencher as vilas e cidades de um stress que se voltará a acumular. Não é fácil o regresso, assim como é receosa a chegada de muitos à cidade universitária. A balbúrdia do trânsito, a agitação da sociedade, tudo o que põe a mexer esta cidade, tudo regressa para compor a normalidade da urbe.

E lá se foi o mês de agosto, as festas e romarias, os passeios na praia e na serra, a convivência entre familiares e conterrâneos, tantas saudades nos deixa o mês da força do verão, aquele que é o mês mais esperado pelo povo português, pelos que cá estão e pelos que regressam ao seu berço vindos de todos os cantos do mundo.

A seu tempo vai enfraquecendo o verão, os dias vão minguando e tudo se vai tornando mais monótono. Cada alva que rebenta é um dia a mais na vida e é assim que temos de viver, um de cada vez como se fosse o último, mesmo quando trespassados pelo destino que não autoriza que façamos planos.

Tudo volta à normalidade, tudo volta ao trabalho e a estender a vista para os lados de Santa Clara para ver se os aviões já aterram em Coimbra, ou olhando de vez em quando para a zona do parque tentando ver se o comboio já partiu para a Lousã. Enquanto nada se vir não faltarão temas para a contestação quotidiana entre a sociedade local, nesta cidade onde as rotundas e as avenidas são “o centro do avanço”. Enquanto as mentes não mudarem e não agirem perante o necessário, “gira o disco e toca o mesmo” após este regresso que custa sempre a retomar.

VASCO FRANCISCO (vascormf@sapo.pt)