Nota de Rodapé

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A CAMINHO DA ESCOLA

As nossas crianças e adolescentes preparam-se para regressar ao lugar onde passam a maior parte do ano: as escolas. Espaços de estudo, de brincadeiras, de amizades, de aprendizagens – positivas e negativas – que aos poucos os devem formar e preparar para enfrentar as vicissitudes da vida.

É, na escola, que se cavam os primeiros traços de personalidade, as experiências marcantes, as desilusões e alegrias, os momentos inesquecíveis que perdurarão pela vida fora. Na escola e na família, que devem agir em articulação e cooperação, promovendo o bem-estar físico e emocional das nossas crianças, e não em competição ou clima de acusação como tantas vezes acontece: a escola ensina, a casa educa, no conjunto formam – lógica que não pode nem deve ser pervertida.

Ei-las, às crianças, neste preciso momento: a prepararem as suas mochilas enchendo-as de livros de apoio, afiando os lápis, escolhendo borrachas, blocos e cadernos de apontamento – entre outros materiais de uso comum. Para trás ficou já a escolha, determinada pelas possibilidades de seus pais. É importante que elas percebam, quanto mais cedo melhor, que não podem ter tudo aquilo que desejam: que os orçamentos familiares são limitados e que o bem maior é o carinho e apoio de seus pais, irmãos, tios, avós, numa palavra: a família.

Apesar de tanta desestruturação que devassa as famílias não podemos perder as crianças. Temos, a sociedade no seu todo, de as conquistar, unindo-as, dando-lhes condições para que vinguem, procurando compreender as suas expectativas e características individuais, descortinando as áreas de atividade para as quais estão geneticamente mais habilitadas.

É uma tarefa hercúlea e geracional, transmitida ao longo de séculos pelo tridente professores, pais e comunidade, num delicado equilíbrio de circunstâncias, a que educadores e auxiliares, em tempos mais recentes, têm também sido chamados para promover harmonia e bem-estar.

Pelas crianças e adolescentes tudo! Pelo sonho e vida que brota de cada um, não nos furtemos a esse papel: crianças hoje, adultos de amanhã – de um mundo melhor, assim o esperamos apesar de todas as incompreensões que minam a Humanidade.

E oiçamos, nós do rincão beirão, as palavras que ecoam na intemporalidade histórica da existência, com que Bissaya-Barreto brindava e motivava o seu grupo de colaboradores: «Façamos felizes as crianças da nossa terra» – em nome da arrancada a caminho da escola!

JOÃO PINHO