Tertuliar

//Tertuliar

Regressamos aos postais e partilhamos uma peculiar tertúlia que nos reuniu no Choupal. O desafio era uma caminhada em modo lentificado, visando ampliar o nosso grau de perceção de sons, aromas e texturas com que a Natureza nos ia brindando.

Sem cronómetro e seguindo o ritmo de cada um, tínhamos como “meta” a mesa selecionada para merendar e aí tertuliar (um pequeno relembrete: piquenicar é tertuliar!).

Aos poucos o grupo volta a estar reunido “na casa de partida”, antecipando-se que cada participante – como um caçador de tesouros improváveis! – traz consigo resposta para o que tinha sido, individualmente e em modo segredo, convidado a fazer.

Comecemos por salientar alguns dos petiscos que entretanto tinham sido retirados dos cestos e aguardavam “ansiosamente” pelos provadores: broa e salada de feijão-frade ensalsado (petiscos “obrigatórios” à nossa mesa), bola de vegetais e pataniscas de alho francês (uma estreia invulgar que surpreendeu positivamente), a nossa já clássica limonada com hortelã e um refresco algo singular, preparado em modo partilha por quem tinha experienciado essa receita, num outro contexto, e que nos levou a falar de algumas práticas alimentares do mundo grego e que hoje, com as devidas aproximações ao palato, regressam às nossas mesas conviviais (três copos de água para um copo de vinho branco, foi o “segredo-base” deste nosso refresco; “no mundo antigo juntava-se água ao vinho para diluir o teor alcoólico ou então vinho à água para a purificar”, alguém partilhou e fixou assim as únicas semelhanças encontradas!); em modo sobremesa, tivemos as uvas por protagonistas, o que nos levou de imediato a falar da época de vindimas que se começa a viver nos vinhedos Bairrada e Terras de Sicó.

Hora de partilhar os tesouros que cada um tinha descoberto. Os sorrisos e gargalhadas abertas e contagiantes atraíram um grupo de crianças que brincavam por perto (certamente curiosas em saber o que era assim tão divertido!), o que nos leva a uma inesperada experiência verdadeiramente intergeracional.

Desenhos, fotografias, folhas, bolotas e pequenos ramos recolhidos ao longo do caminho, foram incluídos nas histórias vividas em férias e agora contadas para um grupo mais exigente (sentimos como nossa “obrigação” transmitir aos novos tertulianos a mesma vontade de gargalhar que os tinha atraído à nossa mesa).

De repente uma das crianças lança o desafio: “porque não pegam numa cartolina, desenham a mão de cada um, pintam, escolhem uma palavra feliz, tiram uma fotografia e ‘postam’ no ‘insta’? Assim vão fazer mais pessoas sorrir!”.

Banda sonora 100% Natureza subitamente interrompida: “querem vir jogar connosco?”. Fomos.

O nosso convite, caros leitores, esse … mantém-se:

Tertuliemos!

ALICE LUXO (alice.luxo@gmail.com)