Bolos de Ançã regressam domingo ao Terreiro do Paço

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Largas centenas de bolos vão invadir, no domingo (30 de setembro), o Terreiro do Paço, em Ançã. Os doces aromas prometem espalhar-se por toda a vila, num convite irrecusável para visitar a feira e saborear estes doces que tanta tradição e tão apreciados são na região.

Promovida pela AVANÇA – Associação para o Desenvolvimento e Promoção Rural da Qualidade de Vida do Meio Rural de Ançã, com o alto patrocínio da Câmara de Cantanhede e o apoio da Junta de Freguesia de Ançã, este evento, que vai já na 18.ª edição, é já uma referência na região, atraindo muitos visitantes.

A Feira do Bolo de Ançã visa, como explica o Município de Cantanhede, “homenagear uma tradição secular que se reflete na vida quotidiana da vila histórica”. Trata-se de “uma iniciativa que muito tem contribuído para divulgar e valorizar o caráter genuíno desta especialidade regional, servindo também para preservar o uso das técnicas tradicionais na confeção das suas três versões conhecidas: o Bolo Fino, o Bolo de Cornos e o Bolo de Ovos”.

São precisamente essas três versões que o público vai encontrar no domingo na feira, a partir das 10h00, onde não faltará também animação ao longo do dia. De acordo com o presidente da Junta de Freguesia de Ançã, Cláudio Cardoso, vão participar na feira oito boleiras, que vão assegurar que o bolo de Ançã não falte. Durante o dia, serão comercializados centenas de bolos, confecionados por mãos hábeis e segundo os preceitos tradicionais.

Assegurar a qualidade e a tradição deste famoso doce é, aliás, uma das preocupações da Junta. “O bolo de Ançã é o nosso cartão de visita. É muito apreciado e é necessário controlar a sua qualidade. Esse é um dos compromissos da Junta, que passa por limitar os abusos que o bolo de Ançã tem sofrido”, assegura o autarca.

Cláudio Cardoso lamenta que, atualmente, “qualquer bolo que misture massa com água assuma o nome de bolo de Ançã”, apesar de não ter “a qualidade do bolo de Ançã, tanto a nível dos ingredientes, como do sabor e do aspeto visual”.

É nossa obrigação zelar pelo bolo de Ançã, o que pode passar pela certificação mas também por outros instrumentos que estão disponíveis para proteger o nosso bolo. A tradição tem que ser respeitada, assim como as caraterísticas essenciais da confeção, que fazem dele um bolo único e tão apreciado”, realça.

Essa qualidade está assegurada na feira de domingo. Depois da inauguração oficial, às 10h00, segue-se uma arruada por gaiteiros e, às 10h30, têm início as visitas guiadas, a pé ou nas tradicionais carroças puxadas por burros, aos locais de maior interesse e atração da vila. Estas visitas servem para dar a conhecer a vila, convidando os visitantes a regressarem novamente à vila noutra altura. “A feira atrai muita gente. Queremos que o bolo seja só a porta de entrada, ou sejam que as pessoas venham para comer bolo mas que não fiquem por aqui, que visitem Ançã e que voltem novamente porque temos muita riqueza espalhada e escondida pela vila que queremos promover”, sublinha o presidente.

À tarde, a partir das 15h00, há animação cultural e jogos tradicionais e, às 17h00, são entregues os diplomas de participação às boleiras e decorre a prova pública do bolo de Ançã, que pode ser acompanhado com vinho, jeropiga, café ou chá.

Durante o evento, decorre também a feira de artesanato e um ateliê infantil onde os mais novos vão poder “meter a mão na massa” e aprender a confecionar o famoso bolo, numa demonstração ao vivo do fabrico deste doce tradicional.

Este evento, que deve encerrar por volta das 18h00, continua assim a promover um produto cuja origem se perde no tempo. Recorde-se que o Bolo de Ançã é um bolo de confeção simples, feito com ingredientes naturais (ovos, farinha de trigo, açúcar, manteiga e canela), que são amassados manualmente e cozidos em fornos de lenha. Este fabrico artesanal tem sido mantido pelas várias gerações de boleiras, sendo este o “segredo” deste bolo típico da vila. Ainda hoje é comum encontrar as famosas boleiras com os seus açafates recheados de bolos dourados, apregoando este doce que vai direto das mãos das boleiras para as dos consumidores.