OPINIÃO

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Entre o Mar e a Serra

A noite parece hoje misteriosa. Todo o céu se forrou de negro, no entanto a lua tenta apoderar-se de todo o espelho celeste. Os sinos da torre aqui ao lado quebram um silêncio profundo que apenas o latido dos cães acompanha. Não há chocalhar de rebanho, não há galo que cante ao engano, aqui não se ouve gado. Entrego os meus passos a estas ruas desertas, que são apenas caminhos de vinho por altura das trasfegas, e caminhos de uvas

NOTA DE RODAPÉ

Chegou o mês de agosto presenteando-nos com o calor. Extremo, intenso, prolongado, aliviando o desespero de muitas famílias, as quais, gozando férias cá dentro, começavam a não ver dias decentes para executarem o programa idealizado: sol, praia, mar, bronze, comida, convívio, lazer. Uma grande parte ruma ao Algarve, depois de um ano a suspirar por esse momento. Alguns, na loucura de verão, até se endividam só para dizer que estiveram lá, na praia frequentada por fulano x ou y da alta

TESTEMUNHOS – A Vida e o Fim da Vida

Houve dois acontecimentos recentes que me tocaram sobremaneira. O primeiro, pelo contentamento que me deu. O segundo, pela tristeza em que me envolveu. I A dita cidade do conhecimento – que parece andar, em permanência, a questionar-se sobre a sua identidade e futuro –, como já o afirmei por diversas vezes, pode agora orgulhar-se de ter sabido organizar, com sucesso, os Jogos Europeus Universitários. E não foi coisa de pequena monta! Houve múltiplas organizações envolvidas, das quais destacamos, a universidade, câmara municipal, associação académica,

O CANTO E O ENCANTO DAS CIGARRAS

O sol quente empurrava-me naquela tarde de domingo para fora do S. Caetano, depois de me recordar as vezes que a ele se refere Carlos de Oliveira em Uma Abelha na Chuva. Os caminhos eram também os seus neste outro tempo, e os mesmos lugarejos da Gândara lá estavam, entre pinhais que foram do fim do mundo! O meu rumo era a beira-mar, mas até lá, eu tinha de passar pela Lagoa Negra, pelos moinhos dos Olhos da Fervença, lembrar

O eterno feminino na pintura

A figura feminina, o retrato, o esboço, a mulher tema ou a visão da aurora na pintura de Luís Lopo, na arte contemporânea com a sua estética, aperfeiçoando, a todo o instante, o corpo feminino, o seu mundo especial, numa corrente antropológica que é já a sua filosofia, explicando este ser sensível através dos pincéis. Capta este singular artista as zonas subconscientes, as zonas mais escondidas, como depurando o desenho em métodos novos e sem aberrações pansexualistas, para nos traduzir, em

Sabe quem é você?

“Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!” – Sigmund Freud   Finalmente somos, quem julgamos ser. Somos quem somos realmente. Somos o que os outros julgam que nós somos, mas há só um Ser que verdadeiramente nos conhece: Aquele que nos criou: Deus! O que aqui afirmo é conhecido de todos! Tal como o sábio Sócrates (en griego antiguo, Σωκράτης, Sōkrátēs; Atenas, 470-ib., 399 a. C.), professor, afirmou, assim como sua mãe, parteira, ajudava a nascer as crianças para

“VELHICES”… FRESCAS

Se fosse vivo o cantor JOSÉ AFONSO teria completado ontem 89 anos. Estaria agora a caminho dos 90 o que é óbvio… mas marco este número – NOVENTA -, porque é redondo e com significativa longevidade. As cidades de Aveiro, Coimbra e Setúbal deviam unir-se na preparação de um ato evocativo dos NOVENTA ANOS do cantor, autor e professor DR. JOSÉ AFONSO. Personalidade de referência no campo cultural/musical no nosso país, ZECA AFONSO esteve muito

NOTA DE RODAPÉ

TERRAS DA CHANFANA – UM MOMENTO HISTÓRICO No dia 22 já a noite ia avançada quando o país foi surpreendido pela vitória da «Mesa das Terras da Chanfana» no âmbito da eliminatória que a Gala da RTP 1 realizou em Reguengos de Monsaraz, tendo em vista o apuramento das 7 maravilhas à Mesa de Portugal. Poucos vaticinavam, à partida, desfecho tão feliz, dada a concorrência de peso. Mas, o sonho comanda

Tertuliar

Os pormenores do dia-a-dia marcam as memórias que criamos; se eu fosse visitar o meu país, quais seriam as prioridades? O que é que eu visitaria primeiro?”, as palavras de Bernardo Gaivão (“Turista Infiltrado”, livro recém-publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos) a servirem de reforço e mote à singularidade deste nosso Tertuliar. Alguém propôs/desafiou e aí fomos nós tertuliar na Serra – sim!, partilhamos o mesmo

TESTEMUNHOS – Para ficar por cá mais uns tempos!

Estive para não escrever nada sobre o acontecimento que vou expor. Depois de refletir bastante, resolvi dá-lo a conhecer aos meus leitores. Já lá vão uns dias. No passado dia 15 de julho de 2018, em plena Avenida Fernão de Magalhães, fui acossado por uma dor forte, excessivamente aflitiva, que me pareceu ter começado no ombro esquerdo alastrando, apressadamente, de tal sorte que toda