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Festa da Esteira este fim de semana em Arzila

Por Zilda Monteiro

 

Promovido pelo Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila, a “Festa da Esteira, outro Artesanato e Doçaria” decorre amanhã e domingo no adro da Igreja de Arzila. Trata-se de um evento com grande tradição nesta freguesia, que procura revitalizar e manter bem viva uma tradição muito antiga que, durante décadas e décadas, teve um peso determinante na economia da população – o fabrico de esteiras.

 

Durante este fim de semana, vão estar no adro da Igreja várias pessoas que sabem fazer esteiras a trabalhar ao vivo. “Fizemos um convite generalizado à população para participarem porque queremos reviver este passado que foi muito importante para Arzila. Com o reviver desta tradição, pretendemos também dignificar uma atividade que, em tempos, foi muito importante para a sobrevivência da comunidade”, explica António José Gabriel, presidente do Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila.

 

Para além das mulheres que estarão a trabalhar ao vivo, qualquer pessoa pode experimentar e pode fazer a sua própria esteira. Para tal pode solicitar a ajuda de uma destas “artesãs”.

 

António José Gabriel espera que este evento tenha uma boa participação do público, tal como tem acontecido nos anos anteriores.

 

O programa começa amanhã, às 19h00, com a chegada dos grupos folclóricos. Às 22h00, no adro da Igreja, atuam o Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila, o Rancho Folclórico S. Cristóvão de Nogueira da Regedoura (Douro Litoral) e o Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira (Região dos Templários).

 

No domingo, às 10h00, começa a “Feira de artesanato e doçaria” e a manufatura de esteiras, com a participação de vários grupos da região.

 

A chegada dos Grupos Folclóricos participantes está prevista para as 12h00, seguindo-se o almoço. A partir das 16h00, no adro da Igreja, atuam o Grupo Etnográfico Rusga de Joane (Baixo Minho), o Rancho Folclórico “Os Camponeses de Santana do Mato” (Ribatejo) e a Associação Etnográfica os Serranos (Baixo Vouga).

 

Segundo a organização, cada atuação tem uma duração de 20 a 25 minutos.

 

Apesar de cada um dos grupos ser responsável pela escolha do que vai representar, a organização sugeriu a todos os participantes que, durante a sua apresentação, procurassem aludir ao que de mais característico existe na região que representam, na área da cultura tradicional, podendo mesmo integrar “um quadro etnográfico” sobre o artesanato e a doçaria tradicional.

 Esteiras de Arzila – a arte de um povo 

É dos campos do Paúl de Arzila, conhecido no país e no estrangeiro, que são retirados caniços (canas) e bunhos (espécie de vime) com os quais os artesãos de Arzila fabricam as suas famosas esteiras, promovidas nesta feira. A ligação da população de Arzila ao “seu” Paúl perde-se assim na memória dos tempos.

 

O bunho era cortado durante os meses de julho e agosto por homens com o “foição”. Cabia às mulheres escolher o bunho que, depois de seco, era atado em molhos e guardado em palheiros ou medas até à sua utilização. Durante os meses de inverno e mesmo nos princípios da primavera, quando o trabalho na agricultura era escasso, as mulheres juntavam-se aos serões e torciam o junção para fazerem os baraços com que no dia seguinte faziam as esteiras.

 

Feitas em teares rudimentares, as esteiras destinavam-se à venda para os horto fruticultores, para embalarem as raízes das árvores de viveiro, mas também as maiores e mais fortes, chamadas de “maltez”, serviam de cama aos mais pobres. As esteiras servem ainda para forrar adegas e esplanadas, para o acondicionamento de mobiliário e vasilhame, entre outras utilidades.

 

Até finais dos anos 60 e princípios de 70, Arzila produzia semanalmente mais de 600 esteiras, que depois eram vendidas para diversos pontos do país.

 

Fundado em 1974, o Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila procura transmitir as tradições do povo da sua terra e da sua região. A sua ação de defesa do património tem ido desde a recolha de elementos etnográficos, à realização de debates, jornadas culturais, exposições, recuperação de festas, de jogos e outras tradições que estavam a desaparecer. Tem sido também sua preocupação a defesa do artesanato, na qual as “esteiras” de Arzila assumem papel de destaque.

 

A Festa das Esteiras conta com o apoio da Junta de Freguesia de Arzila, da Fundação Inatel e da Câmara de Coimbra.