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Por Lucinda Ferreira “A demasiada atenção que se dedica a observar os defeitos dos outros, faz com se morra sem ter tido tempo de conhecer os seus próprios.” Jean de la Bruyère
Para mim que acredito em Deus e na vida sem fim, aquela separação da morte é apenas temporária. E é, estou certa disso. Às vezes, falo com a minha Mãe e quando estou mais cansada, tenho a sorte de sonhar com ela. Ela fala comigo e dá-me imensa paz e conselhos que acabo por seguir. Estão sempre certos!Outros cortes dolorosos se seguiram na minha vida. A certa altura senti necessidade de pensar. Equacionar a minha própria morte.Parece que os divórcios, os acidentes, a morte, são só para os outros, mas um dia, todas essas coisas batem também às nossas portas…Elas podem chegar à vida de qualquer um e nós. Temos mesmo que as enfrentar.“Não fica cá ninguém para semente”, diz-se e muito bem. Na verdade, assim é para todos e qualquer um de nós.Penso que depois de se vencer o medo da Morte, muita coisa fica resolvida e, já não sobram muitos outros medos do que quer que seja.Será conveniente que todos façamos este exercício, para que a Dama dos Véus Negros e da Foice, não nos apanhe distraídos, nos assuste, cause surpresa e sofrimento desnecessários.Ela pode chegar como um ladrão, quando menos pensamos. Depois já não há mais nada a fazer. Há remédio para tudo, menos para a Morte, como todos bem sabemos.Portanto, convém enfrentar esta questão como uma coisa natural e que não falha nunca! Sem resistência pelo desconhecido, será uma passagem mais suave.Todas as pessoas que tiveram experiências de quase morte dizem que estão pairando por cima de tudo. Ouvem muito bem o que se passa. Sofrem muito quando são cremadas, porque ainda não estão conscientes do seu novo estado. Querem comunicar, mas ninguém as ouve. Não conseguem e isso causa-lhes algum estado de ansiedade, porque o espírito nunca morre. Dizem também que atravessaram um túnel escuro e por vezes com ruídos desagradáveis, mas no final, a Luz, a presença de amigos e familiares, tornam as coisas muito agradáveis…Por vezes, sentem que pela oração e pelos sentimentos de amor dos humanos amigos e familiares, a alma é puxada para o corpo, quando afinal o que ela queria mais era gozar daquela Paz e bem-estar, que experimentava do outro lado do túnel. Através de estudo, pesquisas e reflexão que venho fazendo, é muito importante estar consciente desta passagem. Desta mudança de estado. A “irmã Morte” não é inimiga. É libertadora. Condição do progresso e da vida. O meu muito caro e saudoso amigo Dr. Fernando Vale, que amava a vida, dizia-me sempre que não tinha medo da morte, que contudo era cheia de mistério. Achava ele, que se havia um Ser a quem dar contas, que por certo não iria condená-lo, pois sempre fizera pelos outros o seu melhor.E na verdade assim é. Quem sempre viveu bem a vida, com a consciência em paz, não teme a morte.Ela é reveladora e introdutória dos maiores segredos de uma existência superior num outro nível. Quem sempre viveu com coerência, de acordo com a sua essência, nada tem a temer.Para alguns povos, civilizações e zonas do Planeta, a Morte é celebrada com grandes festas, como a libertação suprema. A iniciação para uma vida de extrema felicidade.É saudada com música, banquetes, reunião de amigos e familiares e muita alegria!Finalmente sem espaço, sem tempo, de mente e memória argutas e aguçadas, com propriedade de atravessar obstáculos, de conhecer o pensamento dos outros, o espírito em plenitude e vivendo eternamente sem medos, sempre em constante busca do Conhecimento e da auto-realização, é livre, cheio de luz e muita paz. Então só pode ser feliz!O nascimento pelo contrário é o aprisionamento da alma. O tempo da inconsciência.O tempo da sublimação do sofrimento, a aprendizagem do amor, do perdão e da compaixão. E na verdade é um exercício e bem difícil!O limite. A dor. O sofrimento e a Morte são alguns dos obstáculos para vencer em liberdade, mas com a responsabilidade que traz em si a paz e a serenidade de espírito, ao viver de acordo com a essência e a missão que cada um de nós é chamado a desempenhar.Mas viver também oferece momentos de maravilhosa plenitude. No mais íntimo de cada um, a consciência indica todos os caminhos. A alma sabe estas coisas todas, embora haja quem tente abafar toda esta realidade.………………………………………………………………………………………………………………Dado o espaço de que dispomos, vamos ter que partir aqui este artigo para lhe dar continuação no próximo jornal.Fica apenas a proposta de cada um equacionar sem receios e com clareza e verdade, o seu próprio encontro com a Dama dos Véus e... da Foice.
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