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Três gerações em competição no Coliseu da Figueira

 Paula Almeida ( Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar )

É já no dia 8 de agosto que o Coliseu Figueirense recebe a XI Corrida Jornal Farpas. Em praça anunciam-se três gerações em competição: João Moura, primeira figura do toureio equestre mundial, Rui Fernandes, naquela que está a ser a sua melhor temporada dos últimos anos, e Tomás Pinto, que no passado fim de semana deu cartas na Póvoa de Varzim. E na senda do êxito alcançado no ano passado, regressa também este ano à arena figueirense a Seleção de Glórias da Arte de Pegar Toiros, capitaneada por Francisco Costa. A ganadaria é Francisco Romão Tenório, que promete seis fabulosos toiros com peso e trapio. A corrida será abrilhantada pela famosa Banda Filarmónica do Samouco.

"É para o jornal 'Farpas' uma honra e um motivo de orgulho e regozijo regressar, pelo quarto ano consecutivo, à praça de toiros centenária da Figueira da Foz com a sua corrida de toiros anual, em 11.ª edição nesta temporada”, refere Miguel Alvarenga, diretor do semanário taurino. “O único lamento, a única mágoa, este ano, será a ausência do meu querido amigo Manuel Gonçalves, que nos últimos nove anos foi o organizador da nossa corrida. Felizmente, tenho a meu lado, com a mesma garra que caracterizava seu pai, o filho, António Manuel Gonçalves”.

 

Quanto ao cartel, o conceituado jornalista realça a presença da primeira figura do toureio equestre mundial, João Moura, a repetição do triunfador Rui Fernandes, naquela que está a ser a sua melhor temporada dos últimos anos, e o jovem que poderá considerar-se a nova vedeta do futuro, o praticante Tomás Pinto, que certamente não se contentará nesta corrida em ser mero espetador do triunfo dos consagrados.

 

O curro é da ganadaria de Francisco Romão Tenório e dispensa apresentações. “É para mim um selo de garantia do sucesso que a nossa corrida certamente vai ter”, assegura Miguel Alvarenga.

 Mas, à semelhança do que aconteceu no ano passado, também a XI Corrida Jornal Farpas chega à arena figueirense envolta em polémica, por causa de um diferendo entre o jornal e a Associação Nacional de Grupos de Forcados.

“Face à lamentável e reprovável atitude da denominada Associação de Forcados em proibir os grupos associados de pegarem na Corrida 'Farpas', voltamos a contar com a Seleção de Glórias comandada por Francisco Costa, que já no ano passado assegurou, de modo triunfal, a presença da nobre arte de pegar toiros na nossa corrida. Prefiro não tecer mais comentários ao veto da dita associação, optando por enaltecer a presença de forcados a sério, que são nomes de referência na história da Tauromaquia", afirma o diretor do ‘Farpas’.

 

Três nomes, três gerações:

 

João Moura

 João Moura fez a sua apresentação com sete anos, em Portalegre (maio 1967), para tourear uma vaca, e aos 10 anos de idade alternava já com figuras do toureio nacional como João Branco Núncio, Mestre Batista, Manuel Conde e Luís Miguel da Veiga e fez o seu debute no Campo Pequeno.  

Com apenas 16 anos fez a sua apresentação na praça de toiros de Las Ventas, em Madrid, cortando uma orelha e arrecadando o troféu “António Cañero” para o melhor cavaleiro do ciclo “isidril”. Nesse ano, 1976, João Moura teve um ano triunfal e inesquecível, arrastando multidões para verem o seu toureio, êxito repetido durante os anos seguintes, permitindo ao cavaleiro português ombrear com as maiores figuras do toureio, quer apeadas quer a cavalo, feito apenas ao alcance de dois ou três toureiros em toda a história mundial.

 

Tirou a alternativa em 1978, em Santarém, praça onde um ano mais tarde se encerrou com sete toiros, dos quais um dos lendários Miuras, proeza que voltaria a repetir no Campo Pequeno quando comemorou os 20 anos de alternativa.

 

Toureou além fronteiras, não só por toda a Espanha e França, mas também no continente americano, nomeadamente México e Colômbia, e saiu nove vezes pela Porta Grande de Madrid, meta que apenas Curro Romero ultrapassou com 10 feitos.

  

Rui Fernandes

  

Rui Fernandes, por seu turno, é atualmente uma das figuras mais internacionais do toureiro nacional. Estreou-se em praça há 19 anos, então com 12 anos, numa garraiada em que arrebatou o troféu para a melhor lide. A prova de praticante foi conseguida a 22 de abril de 1995, em Santo António das Areias, onde integrou um cartel constituído por José Maldonado Cortes, Francisco Cortes e o espada António Ferrera.

 

Dois anos depois toureava em Macau e Espanha, onde, em Olivenza, ganhou o troféu em disputa para a melhor lide, numa corrida que inclui também Joaquim Bastinhas, Fermín Bohorquez, Pablo Hermoso de Mendoza e Andy Cartagena.

 

Tomou alternativa a 6 de agosto de 1998, tendo a seu lado as duas maiores figuras do toureio a cavalo do momento: João Moura (padrinho) e Pablo Hermoso de Mendoza (testemunha).

 

A 9 de outubro de 2004 abriu a Porta Grande de Las Ventas (Madrid), depois de em 2002 ter dado volta e em 2003 ter cortado uma orelha.

 

No ano seguinte, a 3 de abril, sagrou-se o primeiro, e até agora único, toureiro português a sair em ombros pela Porta do Príncipe de Sevilla. A 30 de abril de 2006 voltou a cortar duas orelhas na Real Maestranza e, nesse ano, Rui Fernandes tornou-se um dos cavaleiros portugueses mais internacionais, com participações nas principais feiras de Espanha, Peru, Equador, Colômbia e México, e, nos últimos anos, nos Estados Unidos da América.

 

Já este ano, numa das melhores temporadas da sua carreira, tem feito uma brilhante campanha em Espanha, tendo sido o máximo triunfador na Feira de las Fallas, em Valência, e mais recentemente em Torrejon de Ardoz (Madrid), entre outros êxitos, e em Portugal onde, bem recentemente, triunfou na emblemática Praça de Toiros de Moita do Ribatejo.

  

Tomás Pinto

  

Finalmente, Tomás Pinto, neto do campeão do mundo de hóquei em patins, Emídio Pinto, sobrinho do cavaleiro (também) Emídio Pinto e primo do também cavaleiro Duarte Pinto, desde os cinco anos que monta a cavalo na Quinta da Bela Vista, propriedade da família no concelho de Cascais, frequentando o terceiro ano do curso de Medicina Dentária.

 

Apresentou-se como cavaleiro amador a 8 de maio de 2004 num festival integrado nas Festas do Cavalo em Porto Salvo, montando o cavalo Euro, ferro José Núncio, e lidando um novilho de Herdade de Pégoras.

 

A 1 de maio de 2007 tirou a prova de praticante no Montijo, lidando um novilho de S. Pedro, e a partir daí tem vindo a lutar diariamente para que possa singrar nesta bonita arte e atingir o estatuto de figura.

 

Como já referimos, Tomás Pinto destacou-se num cartel de seis cavaleiros de alternativa, no último fim de semana, durante a corrida RTP que decorreu na Póvoa de Varzim.